Geoeventos — 19 março 2017
Encontro dos Geólogos UFPE 1971

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“Em concorrido jantar os Geólogos UFPE 1971 se reuniram para comemorar o transcurso dos 45 anos de formados e iniciar os preparativos das comemorações dos 50!!!!!! Importante destacar a participação de muitos colegas residentes em outros Estados”

 

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Abaixo segue um belo texto elaborado pelo Geólogo José Salim, no qual resgata memórias e sentimentos que acompanham essas longas e fortes amizades.

 

GEÓLOGOS DE 1971 DA UFPE COMEMORAM OS 45 ANOS DE FORMATURA

 

José Salim

De vida profissional, 45 anos ali reunidos na “Trattoria Via Appia”, Boa Viagem. Estudantil, ainda mais por conta dos quatro anos de convívio nos bancos da Escola de Geologia, no casarão da rua Dom Bosco 1002, na Boa Vista, Recife. Escola de qualidade, de mestres dedicados, funcionários atenciosos, alunos aplicados e de convivência democrática. Escola dos tempos brabos de guerras quentes (Vietnã) e frias (USAXURSS), Brasil sob o jugo do AI-5 e DL-477 da Redentora; das ironias e sátiras do abusado Pasquim de Henfil e Febeapá de Stanislaw Ponte Preta. Esperanças daquela década rica de movimentos por mudanças mundo afora e aqui: Maio de 68 na França; Hippies, Rock dos Beatles; Bossa Nova, Jovem Guarda, Tropicália, Grupo e Teatro Tuca, Pra Frente Brasil do tri de 1970. Reforma das Universidades brasileiras, responsável pela reunião de cursos de escolas e faculdades numa estrutura de Centros Acadêmicos. O fim de cursos ao abrigo de escolas próprias como a de Geologia. Espécie de refúgio aos alunos, nela encontrados a qualquer hora, dia, semana, mês, ano, dispersos pelos quatro cantos em estudos, tarefas escolares ou papo fiado mesmo. Sempre conversa presencial, cara a cara, olho no olho, sem intermédio de telefone, nem mesmo orelhão. Boa questão: razão para explicar detalhes de fatos e casos da história da turma narrados de memória na ocasião.

Difícil a descrição da sensação d´alma do encontro de colegas, alguns jamais vistos desde a festa de formatura. Fácil a visão da alegria de um grupo de 16 dos 24 profissionais ainda atuantes dos 32 formados. Presentes (16), Pernambuco em maioria (7) entre os vindos de Alagoas (1), Bahia (2), Mato Grosso (1), Pará (2), Paraíba (1) e Rio Grande do Norte (2). Ausentes (8) por compromissos em Pernambuco (6), Minas Gerais (1) e Rio Grande do Norte (1).

Realmente uma existência de meio século de velhos colegas de Escola. Longa estrada caminhada, desafios e perigos enfrentados e vencidos, frutos de sementes plantadas, árvores de fortes troncos familiares e galhos de rebentos de filhos e netos. Nessa retrospectiva, revivido o alegre espírito estudantil da turma do último lustro da década de 1960. Quantas lembranças de sala de aula, campo e até de paradeiros regulados pela pedagogia da maestrina Capim Santo, sempre presente e cortejada nas gostosas rodas de bar. Situações e acontecimentos, distantes no tempo e adormecidos no baú da memória, mas capazes de recuperação de lembranças pescadas de um e de outro e remontadas em quadros pintados de saudade das aventuras de sala de aula e de nostalgia de passagens, paisagens e paragens de trabalhos de campo.

Ainda no táxi, guiado por GPS e mapas do Google, a lembrança da mão de obra e do sufoco em classe, laboratório e campo; seminários, extração de dados em manipulações de bancada; veredas abertas a facão e afloramentos mapeados com uso de bússola, martelo, trena, lupa, estereoscópio, fotografias aéreas, papel transparente, lápis cera; medição de parâmetros, coleta de amostras; olho vivo na lâmina ao microscópio. Tudo levado à prancheta para construção de tabelas, gráficos, mapas e perfis com recursos de lápis, régua, esquadro, transferidor, pantógrafo, papel milimetrado, papel vegetal e tinta nanquim. Daí ao Relatório. Sofridos Relatórios! Virada de noites e noites em análises e revisões, redação de frases e frases, datilografia de páginas e páginas, sob risco, por um erro ou acidente, de perda e repetição de tudo. Tarefa insana, não só de leitura, interpretação e redação, também de manuseio e transporte de material e caixas de arquivo da papelada. Ufa! Alivio e desabafo da tarefa finalmente cumprida. Milagre! comparado à facilidade dos atuais editores de texto, planilhas, mapas e fotos; pendriver, box nas nuvens e aplicativos. Bibliografia atualizada! Recurso à disputada biblioteca dos gabinetes dos professores; sempre abertos e acessíveis graças à confiança e à chave com o Peixinho, o monitor da disciplina. Enfim, comparações de viés emblemático do agigantado avanço da tecnologia nesse meio século. Facilidades de hoje comparadas às de antanho. Por outro lado, recompensado por fixação de aprendizado e de aplicação de técnicas em razão do uso da cabeça como máquina armazenadora de fundamentos, técnicas, dados, equações; processadora de parâmetros de variáveis metodológicas; interpretadora dos resultados e sintetizadora de conclusões.

Causos não só narrados, mas até artisticamente representados, ali ao vivo, naquele singelo palco de vida escolar, arremedo didático do real de outrora, bem conhecido de cada um como ator, personagem e expectador. Desta feita, com plateia abrilhantada por expectadores deveras especiais e atentos de esposas e filhos participantes. Franzidos de testa, arregalares de olhos, balançares de cabeças, gestos reveladores de estória incompleta ou mal contada da peça de aventuras e peripécias encenada para os de casa pelo marido e pai estudante.

Tempo curto na pauta para o cenário político e econômico atual. Nem ambiente de galera ligadona na folia do encontro e coloquial dos apelidos, mais interessada em notícias e experiências das andanças pelo mundo profissional e o bem-estar familiar dos colegas. Este demonstrado pela animada participação e rápido entrosamento dos familiares presentes. Na lida profissional, todos em atividade, no mesmo emprego ou consultoria. Alguns ainda em jornadas de campo; atividade outrora normal ao geólogo, mas, ali, tida merecedora de recomendação para cuidados redobrados com a segurança pessoal. Insegurança! o assunto doméstico presente no recinto, na boca e temor de todos os convivas. Diametralmente distante e destoante dos das edições anteriores: na primeira, dos 30 anos, o futuro dos filhos universitários; segunda, dos 40, a precocidade dos cybernetos; nesta agora, a insegurança na porta de casa.

Beirava as duas da madrugada, momento de agradecimentos e mensagem de reflexão do organizador do encontro, o incansável e dedicado colega Veiga; de imediato aclamado democraticamente no encargo da Festa de Arromba do Cinquentenário em 2022; fotos oficiais da turma e esposas; pagamento da conta; por fim, o Encerramento. Lá dentro, no salão mesmo! Lamentavelmente, desta vez, abortado o tocante rito da caminhada de despedida pela calçada, camisas abertas, cabelos soltos ao vento, sapatos na mão, risos, assovios, abraços afetuosos e cambaleantes do adeus e feliz estrada. Mesmo assim, Valeu! E como.

Presentes:

  • Aldemir Pereira de Aguiar
  • Ariolino Neres de Souza
  • Ebenezer Moreno de Souza / Isabel Cristina de Lemos Vasconcelos
  • Francisco Matos de Abreu / Gilka Wanderley Matos
  • Francisco Leal Barros / Jandira Salviano Barros
  • Ivo Figueiroa / Rosa Cecília Araújo Figueiroa
  • Ivonaldo Elias de Lima / Lúcia Estar Gomes Elias
  • Jessé Figueiredo
  • João Batista Archanjo / Maria da Conceição de Sá Oliveira Archanjo
  • José da Silva Luz / Maria Helena Randon Luz
  • José Maurício Rangel / Maria da Glória Monteiro Rangel da Silva
  • José Pessoa Veiga Junior / Maria Edizia de Oliveira Veiga
  • José Salim / Josineide Câmara Salim
  • Manoel Getúlio Casé
  • Oswaldo de Araújo Costa Filho / Maria das Graças de Barros Costa
  • Paulo Jaime de Souza Alheiros.

** Complementando, segue a lista com todos os nomes, entre outras informações, dos formados UFPE 1971.