Geologia UFPE - História

O Curso de Geologia da UFPE foi criado em 1957, juntamente com os cursos de Geologia de São Paulo, Ouro Preto e Porto Alegre. Nos primeiros anos do curso os alunos selecionados tinham uma bolsa da CAGE (Campanha para Aperfeiçoamento de Geólogos) do Ministério da Educação e Cultura. A concessão da bolsa era vinculada à dedicação exclusiva dos alunos e à condição dos mesmos não apresentarem reprovação ao longo do curso. O valor da bolsa, de aproximadamente CR$ 4.000,00 (quatro mil cruzeiros) era suficiente para a manutenção do estudante, aquisição de livros, etc.

A primeira turma de Geólogos do Recife deveria concluir o curso em 1960, uma vez que este era dividido em quatro anos. Todavia injuriados com o tratamento abusivo e discriminatório de um dos professores americanos, Dr. Max White, os alunos fizeram movimentos de protesto que culminaram com uma greve e a tomada da escola. O diretor de ensino superior, Sr. Jurandir Lodi, em represália ao movimento estudantil da escola de Geologia do Recife, e numa demonstração clara de menosprezo pelo Nordeste, conseguiu a reprovação em massa da turma do quarto ano, tentou fechar a escola de Geologia e transferi-la para Curitiba. O final do ano de 1960 e início de 1961 foi marcado por uma forte mobilização dos estudantes do curso de Geologia que, através de sua união e determinação, conseguiram envolver os políticos, empresários, professores e a sociedade em um grande movimento visando a volta do curso à normalidade e a sua permanência definitiva em Recife. Como tinham sido reprovados em massa, "reprovação por decreto", os estudantes não tiveram mais direito a bolsa da CAGE. Em conseqüência da deflagração da greve do curso de Geologia, os professores americanos vinculados a CAGE e ao programa da Aliança para o Progresso - Ponto IV, voltaram aos Estados Unidos, levando consigo equipamentos indispensáveis ao bom funcionamento do curso. Órgãos federais como a SUDENE e empresas como a POTY e a FOSFORITA de Olinda, e um empresário com uma visão abrangente do futuro, Dr. José Ermírio de Moraes, que doou CR$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros) em equipamentos e bolsas para os alunos, permitindo que o curso de Geologia conseguisse sair vitorioso na luta pela normalização das atividades de ensino e pela permanência do curso em Recife. O movimento iniciado pela primeira turma do curso de Geologia teve repercussão nacional envolvendo ministros, deputados, o governador do Estado de Pernambuco e o prefeito do Recife, todos conscientes da importância do conhecimento do potencial do subsolo nordestino e do investimento em pesquisa e formação de técnicos de alto nível.

A primeira turma (alunos ingressos em 1957 e 1958) conseguiu colar grau em 1961, com o nome "Geólogos Pioneiros Norte Nordeste", tendo como patrono Dr. José Ermírio de Moraes. O pioneirismo e o espírito de luta por justiça e tratamento igualitário para professores e alunos da primeira turma de Geólogos do Recife, contou com o apoio de professores brasileiros e estrangeiros que acreditaram no potencial da nossa escola. Estava definitivamente lançada a semente para o desenvolvimento das ciências geológicas do Nordeste. Após a consolidação do curso de Geologia do Recife, vários ex-alunos passaram a integrar o quadro de docentes contribuindo para a formação de geólogos, que desempenharam e desempenham papel relevante na história das Ciências Geológicas no Brasil. Nordestinos que ocupam posição de destaque em pesquisa científica, formação de recursos humanos, e na política no Brasil; muitos reconhecidos e admirados também no exterior.

Após a Reforma Universitária, implantada no Brasil em 1969 à revelia da comunidade universitária, a Escola de Geologia foi transformada em Instituto de Geociências e, posteriormente, no Departamento de Geologia, vinculado ao atual Centro de Tecnologia e Geociências.

Hoje, o Departamento de Geologia da UFPE conta em seu quadro com a maioria dos professores titulados a nível de doutorado, desenvolvendo pesquisas nas áreas de Petrologia Ígnea, Petrologia Metamórfica, Geologia Isotópica, Geologia estrutural, Geoquímica, Paleontologia, Sedimentologia, Geologia Ambiental e Hidrogeologia. As facilidades analíticas do Departamento de Geologia incluem:

1 - Laboratório de Geologia Isotópica (LABISE) pioneiro no Brasil na análise de isótopos de Oxigênio em silicatos, analisando também Carbono e Oxigênio em carbonatos, sob a coordenação do Prof. Dr. Alcides Nóbrega Sial

2 - Laboratório de Fluorescência de Raios-X, recentemente instalado e em pleno funcionamento, com capacidade analítica para elementos traços, e maiores em rochas e outros meios, coordenado pela Prof. Dra. Valderez Pinto Ferreira.

3 - Laboratório de Plasma de Indução Iônica (ICP), com capacidade analítica para elementos traços e maiores em soluções (à partir de rochas, minerais, água e outros materiais), coordenado pelo Prof. Dr. Edmilson Santos de Lima.

O Departamento de Geologia conta com cursos de pós-graduação a nível de Mestrado em três áreas de concentração: Petrologia & Mineralogia; Sedimentologia e Hidrogeologia em funcionamento desde 1973 e um doutorado em Petrologia em funcionamento desde 1992. Estes cursos de pós-graduação, além dos professores do Departamento de Geologia, contam com a participação de professores do Departamento de Engenharia de Minas, Engenharia Civil e Oceanografia. A área de concentração em Sedimentologia passou por algumas reformulações e atualmente chama-se Sedimentologia e Geologia Ambiental.

Recentemente o Departamento obteve mais uma conquista, conseguindo implantar o Mestrado e Doutorado através do programa para Geologia do Petróleo da ANP (Agência Nacional de Petróleo) cuja linha de pesquisa é "Arquitetura de Depósitos Sedimentares para Análogos de Reservatórios de Hidrocarbonetos". As atividades dos novos cursos serão iniciadas em abril/2000.

O curso de graduação foi submetido a uma reforma curricular aprovada em março/2000 pela Universidade. O novo currículo (ver tabela) será válido para alunos ingressos a partir do 2º semestre de 1986.

O Departamento de Geologia é um marco de pioneirismo na UFPE e no Nordeste, cabendo aos professores uma enorme responsabilidade na melhoria constante do curso, sempre com muita dedicação e elevado investimento na formação de recursos humanos e no desenvolvimento de pesquisas voltadas para um melhor conhecimento de nossas potencialidades minerais e dos problemas ambientais associados aos processos geológicos.